quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Por trás da vidraça...




Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida:
Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação. Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.


Caio Fernando Abreu

Pequena Notável.




Ela é comum e mais uma na multidão. Insegura, tem medo que seus sonhos não se realizem. Mas sua vontade de lutar é especial. Os amigos a adoram, só não gostam quando está carente. Fica mole, pedindo colo, nada parecido com aquela menina cheia de si e segura assim que suas conquistam começam a figurar no horizonte. 

Complicada? Ela nunca quis ser fácil de entender. A não ser quando ela se descomplica pra alguém. Estar só, às vezes, é alívio. Encontrar um amor? Mais um sonho. Pode ser numa esquina, abrindo a porta, lendo um livro no parque, ou em qualquer uma das suas atividades de mulher independente e de casca grossa. 

Comum? Sim. Como ela existem milhares de mulheres, mas nem por causa disso ela não possa ser chamada de Notável. Pequena, cabe num abraço apertado, num sonho planejado, num salto bem alto, numa frase do Caio, num verso do Tom, num gesto raro, num livro bom, num diferente penteado, numa roupa provocante, numa única solidão, no fundo de uma taça de champanhe. 

Só não consegue caber numa única definição.


Gustavo Lacombe

Andei mudando...


Tive que aprender a ser forte... 
Mas também, foram tantas portas apaixonantes abertas para mim, porém quando passava da entrada, me via precisando sair...
 Se sai!? Claro, a gente aprende a passar pelo buraco da fechadura quando se é preciso, o jeito buscar sempre uma saída para não se envolver e não sofrer mais.
 Sabe aquela do "errar duas vezes"!? Pois é, acontece... E tende a acontecer ainda mais quando se procura, é a historinha do "Quem procura acha!".
 E eu concordo!
 Ando evitando a "procura" ao máximo, e não sei bem se estou fazendo o correto. 
 Confesso que não esqueci algumas das portas que já passei, algumas ainda geram sorrisos, e até lembro delas quando vejo uma ou outra se abrindo por ai...
 Mas agora é diferente, pé atrás e não entro mais, evito sempre o primeiro passo, coloco facilmente uma ponte antes da porta.
 E sabe porque!? É preciso... Necessidade... Amor próprio...
 Mesmo encontrando portas abertas, coloco uma ponte a sua frente, sento na mesma, e procuro estudar calmamente para não avançar a toa e errar novamente.
 E não me encontro disposta para bater em nenhuma porta, não quero me precipitar novamente e sair batendo em portas erradas. 
 Ainda lembro das portas que adentrei um dia e que depois tive que sair... Aliás, jamais esquecerei algumas.
 Tô mais pra quem tá esperando a porta se mover, e se bater na mão produzindo um "toc toc" sozinha, iniciativa tomada por outra parte.
 Até penso que esse inesperável seja o melhor.

 Acha que pirei!? Pois é, vai ver eu pirei foi para o meu próprio bem... 


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tranquilidade...


 E ai você resolve dar uma mudada na vida...
 São tantas coisas de uma só vez, e criar ondem de preferencias talvez ajude, cada coisa de uma só vez. Focar na família, estudos + amigos e depois nas paixões, para quem tá nas primeiras preferencias, tranquilidade, para quem não tá... PACIÊNCIA!
 Paciência, coisa que nem todo mundo tem, fazer o que né!? Beleza!
 Nunca fui de tomar decisão precipitada, prefiro testar as paciências das pessoas, gosto de deixar o tempo passar para ver como as coisas vão mudando, gosto de tomar a atitude com a certeza que o que quero vai dar certo.
 Tem quem diga que, quando a gente pensa muito acaba não fazendo o que queria fazer, mas também se for pra fazer por impulso, sem pensar e acabar fazendo burrada... É melhor não fazer de jeito algum.
 Mas enfim... Ainda bem que as pessoas mudam e se mostram de verdade, sempre acho que mesmo sendo cedo ou tarde, a gente acaba sabendo quem são as pessoas verdadeiramente, e isso aprendi desde de criança. Por isso que para certas coisas, tenho a mínima pressa possível, logo não dá pra conviver com a inimiga da perfeição né!?
 Confesso, faltava pouco, bem pouquinho mesmo, era só esperar outras poeiras baixar para a calmaria levantar, mas fazer o que... Deu certo não!
 Sei lá, não é bem ser fria, acho que é só meu jeito de evitar, sou muito de escantear o que não vai me fazer mais o bem. Acho que isso é o resultado de tudo que já aconteceu, e sinceramente, acho é bom.
 Sabe a historinha de aprender com os erros e sofrimentos!? Pois é, faz parte do amadurecimento de qualquer humano. Sinto pena de quem não consegue "amadurecer" mesmo já estando na idade de ser alguém bem "crescidinho", pena MESMO!
 Mas enfim...
 Resolver mudar não quer dizer que você irá se bagunçar 100%, é preciso mudar sempre, porém algumas coisas ficam mesmo depois das mudanças. Há coisas de suma importância em nós que na verdade nem deveríamos mudar. Além disso, é necessário manter o foco em coisas (realmente) de valores.
 Mudança pra mim deve ser ligada a TRANQUILIDADE, a paz interior. Não adianta mudar e não ter sossego, se enxergar por dentro e valorizar o bem estar é essencial.
 Sempre digo isso a todos os amigos, sempre falo para que se vejam primeiro, que valorize a atitude que o fará bem. Impossível tomar uma boa atitude quando na verdade não estamos tranquilos nem consigo mesmo.
 Pessoas, coisas e momentos passam... Mas cabe a gente manter o equilíbrio, a tranquilidade e a fé em nós mesmo. Afinal, já dizia um autor desconhecido (o qual não me recordo):
 - Sempre haverá novos sonhos, novas pessoas, novos amores, novos horizontes...  Mas nós sempre ficamos dentro de nós mesmo.


 Então... SÓ DEIXE DENTRO DE VOCÊ O QUE LHE PROPORCIONA TRANQUILIDADE!


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vontade...

"Vontade de passar na tua porta
 Vontade de bater no teu portão
 Vontade de pedir um copo d'água

 E assim poder tocar na tua mão
 E assim poder falar do meu amor
 E assim te revelar minha paixão

 Eu sou apaixonado por você
 Desde menina, desde pequena
 Só não tive coragem de dizer
 Que estou queimando, tô me roendo..."



- Chorinho da sanfona acompanhado de lindas letras... Sim, ainda existe conteúdo na musicalidade simples e agradável do nordeste, e que nunca se acabe!


domingo, 16 de setembro de 2012

Me vem...


 E no meio de tanta risadas geradas de conversas engraçadas em mesa de bar, sempre surge assuntos que nos deixar bastante pensativos. Normal, mesa de bar se fala tudo. Não, mas nunca fiquei tão aérea quanto fiquei hoje.
 Pauta da vez: -Sempre tem alguém que a gente sempre pensa, gosta, sei lá...
 Filosofias de mesa de bar, verdadeiras, e dependendo do grau etílico no sangue do indivíduo, a conversinha vai longe...
 Olhando a agenda do meu telefone, procurando um contato quando surge a pauta, e adivinha no nome de quem parou a rolagem!? Gerando automaticamente um:
 -PQP, mas que coisa estranha foi essa...
 Enquanto os outros ao meu redor estavam falando a respeito, eu olhei seu nome e fiquei pensando. Cheio de gente ao meu redor, e como eu estava me sentindo!? Só olhar a foto acima...
 Bateu uma vontade de ligar pra você, mas ai tava barulho, você não iria escutar direito e talvez nem gostar. Insegurança sabe... As vezes sinto isso, as vezes penso que vou incomodar e acabo não ligando e nem passando mensagem.
 Não, não foi a primeira vez que fiz isso, quase todos os dias gasto no mínimo 2 minutos olhando seu nome, mas ai não ligo e espero pra falar na internet. E mesmo falando por internet, ainda sinto a insegurança de estar incomodando.
 Tá, entre a gente não tinha besteira nenhuma, mas sei lá, acho que as coisas mudaram um pouco, devido a alguns acontecimentos indesejáveis. E você também não me mostrou nada que transparecesse estar como antes, mas enfim, sempre tento deixar você a vontade ao máximo.
 Mas como você mesmo disse uma vez, deixe que com o passar do tempo as coisas vão se resolvendo. Então, deixando o tempo passar, porém, estamos propícios a mudanças radicais entre nossos destinos.
 Enfim, sei lá... Só acho que não passo 2 minutos olhando o seu nome de graça né!? E não é só olhar seu nome, é pensar em você, é lembrar de bons momentos...
 O que é isso produção!?
 Assim sabe... Você ainda me faz bem, eu gosto da gente e mesmo que a nossa intensidade não volte, desde já digo que você foi o que me aconteceu de bom nesses últimos meses, foi bom pra mim e espero que tenha gostado também. E do fundo do meu coração, espero que a gente ainda se encontre muito por ai, mas enquanto isso... Vou olhar seu nome na minha agenda e encher seu saco um pouquinho.
 Por fim... Não, nem vem, as propagandas promocionais vão continuar (só a gente entende) Kkkkk'
 Então, o que eu tenho a dizer é isso, eu ainda penso em você. Mas se é sua vontade, deixaremos na mão do tempo. E vamos que vamos, que a felicidade sempre nos abrace mesmo sendo com o "nós" ou com os dois "eu". Mesmo se o destino não for cooperar, que continue acima de qualquer outra coisa, essa amizade bacana entre a gente. É isso que eu espero de você!

=)

domingo, 2 de setembro de 2012

Inspirado no cheiro da sua mão...



Se a gente juntar com a pá migalhas e farelos, o pó e os cacos que sobraram de nós dois, acho que faz um inteiro. Será que não? E aí? Que tal? Vamos? Como soa dividir comigo essa existência idiotamente ridícula, morna, real, estúpida, bagaceira e imbecil? Vamos fazer diferente, como ninguém mais sabe fazer, só nós? Diz que vamos, vai.

Não? É tudo que preciso pra começar a te conquistar. Diz que não com os olhos cheios de esperança. Com duzentos "nãos" eu construo um castelo, uma roda gigante, uma cabaninha de lençol na sala, um altar, um amor, um sim bem grande. Com um sim entre você e eu, te roubo inteira e metade da felicidade do mundo. Diga que não, ponha uma meta no meu colo, tipo num processo de seleção feminina só pra eu provar que sou o cara.

Isso, faz assim. Se faz de labirinto quando eu me oferecer em linha reta. Diz que metade de mim, a parte amigo, tá bom, só pra me empurrar inteiro coração adentro, goela abaixo, com toda a calma do mundo. Isso, faz assim. Dá voltas e voltas e voltas na chave da tua emoção só pra eu me exibir que posso te desarmar, desarrumar sua vida e seus cabelos. Embora eu não te ame ainda, mesmo o amor não existindo, diga não e me encoraje a pôr tudo à prova.

Finge não me querer, disfarce o brilho no olhar, esconda o sorriso atrás dos cabelos, ganhe torcicolo de tanto cuidar o outro lado, mostre o cofrinho se abaixando quando eu passar rasando, fique o tempo todo pensando no jeito infalível de ganhar o Oscar de melhor "tô nem aí". Me ache chato se eu te procurar, me ache o homem da sua vida se eu sumir, me veja feio do teu lado, me veja lindo do lado das outras. Diga trocentas vezes pro espelho na sua bolsa que sou o cara mais idiota, mais engraçado, mais fajuto, mais encantador que você fingiu não gostar.

Perfeito assim. Fosse sem esses enigmas, sem esses rodeios, sem esses movimentos, sem esses contrastes eu a rejeitaria como todas as outras. Vem assim como uma onda que não se congela pra eu pegar, como uma música do Djavan. Mas alerto já que estarei esperando com os pés e o desejo de te ter pra mim descalços, esperando você se desfazer, perder energia e parar na areia, nos meus braços, no meu sofá.

Bolei um plano pra trazer você pra mim, todo inspirado no cheiro da sua mão. É mais ou menos assim: você finge me repelir como fosse eu um ex-presidiário estuprador, bagaceiro e ressentido, e eu chego arrombando sua porta, suas pernas, sua alma. Aí você se dá conta que para voar é preciso tirar o peso dos ombros, se desanda, e diz pra mim, no ouvido, com um fio de voz e outro de esperança de que seja tudo real, que isso é o maior erro do ano, que não imaginava existir tanta culpa no céu, que as pessoas ficaram mais bacanas depois que encasquetei em te querer. Tudo sorrindo mais do que seu rosto aguenta.

E devolvo, puxando com os dentes seu lóbulo, que nossa história foi escrita torta de propósito pra gente se cruzar, tudo enquanto eu babo sobre teus encantos, enquanto eu faço o sexo mais manso e mais intenso e mais irreversível e mais gostoso e mais carinhoso e mais duradouro da sua vida, tanto que você perde seus orgasmos por birra, de tanta vontade de nunca mais me deixar sair de onde eu nunca deveria ter entrado.

Depois, com pequenos beijinhos e mordiscadas virando e desvirando seu corpo, virando e revirando seus olhos, convenço que os maiores amores se acertam nos erros, quando a loucura e a entrega vencem a resistência e o medo de alguma forma. Começo num beijo no canto da boca, aqueles que cabe a você decidir se acaba, ou prossegue, tá? Então, vamos? Pega na minha mão, entra no meu carro, sobe na minha garupa. Te mostro o quanto dá pra amar no caminho.


Gabito Nunes


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